Oui, oui, o ar-condicionado da princesa bateu as botas e trabalhar nesse calor senegalesco do Rio de Janeiro sem ar-condicionado é uma tortura, para não dizer pecado.
Depois de suar cântaros resolvendo questões burocráticas a princesa pegou a bolsa e num ato de fúria esbravejou no elevador: vou para algum lugar que tenha ar-condicionado. Antes ela tivesse ido atrás de um técnico para consertar o seu, mas...
Não pestanejou: cinema. Não queria nem saber o que estava passando, não estava a fim de assistir a nenhum filme em particular, apenas se livrar do calorão do fim da tarde de ontem.
_ Qual a próxima sessão?
_ A música segundo Tom Jobim.
_ Um ingresso, por favor!
Não poderia ser ruim, pensou enquanto comprava a pipoca. Conhecer melhor a vida de Tom, ver imagens preciosas de arquivo da turma da bossa e mergulhar na atmosfera daquela época, ouvir boa música, sentir o geladinho do ar-condicionado na nuca. Maravilha, não poderia ser melhor.
A sala estava geladinha... Hummm, delícia. O filme começou. O filme começou? O filme não começou nem mesmo após 50 minutos. Tratava-se uma sequência, como dizer, hummm, enfadonha - embora nostálgica e bela - de 'videoclipes'.
Of course que para quem é amante confesso de Bossa Nova - o que definitivamente não é o caso da princesa – e/ou desfrutou daquela época deve ter sido uma punheta, mas para quem não é...
Of course, também, que algumas imagens de arquivos eram raríssimas e caríssimas e que alguns trechos são emocionantes.
Mas não há sequer um arquivo de conversas registradas. Há somente cantores, cantoras, instrumentistas, cantores, cantoras, instrumentistas, cantores, cantoras, instrumentistas e fotografias, fotografias, fotografias - sabe aquelas montagens que qualquer pessoa que manja um pouco do Windows Movie Maker faz para a Internet?
Se uma das idéias era apresentar a trajetória de Tom Jobim as novas gerações deixou muito a desejar, especialmente pela falta de créditos. O tempo todo a princesa ouvia das pessoas ao lado: ‘quem é essa?’, ‘quem é esse?’...
O filme está mais para aquele tipo de DVD que deixamos rolando na TV quando recebemos amigos em casa para um jantar do que qualquer outra coisa.
Ou, uma tentativa de mostrar para os gringos ‘olha quanta gente famosa já cantou as músicas de Jobim, olha como ele foi e é importante’...
Quando a princesa achou que o pagamento pelas horinhas de ar-condicionado já tinha valido, foi embora aos 50 do segundo tempo, para o horror dos amantes da bossa que a cada cena gritavam hu-ru...
Dos males o menor: ao sair da sala a princesa comprou na livraria ao lado do cinema o livro Fragmentos - poemas, anotações íntimas e cartas de Marilyn Monroe e está louca para começar a ouvir a voz da boneca que foi sempre impedida de falar...
Mas o Jabor adorou o filme [ leia aqui] , disse que se sentiu saindo de um SPA mental e há quem tenha achado a falta de créditos uma tacada de mestre [ leia aqui] . De duas uma: ou o calorão derreteu os miolos da princesa ou ela é do contra, torta, mesmo...
Falando nisso
A princesa acha um horror as salas de cinema exibirem propagandas de TV antes do filme começar. Uma falta de respeito terrível. O expectador é obrigado a assistir aquele lixo mesmo que não queira. Em casa, ao menos, ele tem o controle remoto nas mãos, mas no cinema, não. E qual não foi sua surpresa quando além de propagandas foi obrigada a assistir a um videoclipe inteiro da Mallu Magalhães. Sic, sic, sic... Apesar de não ser fã da moça e de achar um absurdo essa prática em cinemas, confessa que achou o clipe lindo, lindo, lindo e que deu nota 1000 pra direção de arte e figurino.

Jobim no melhor estilo Dylan/ imagem google

o livro
o clipe
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